É estranho parar e pensar, quase nunca se faz
isso, o brilho e as cores da vida nos embriagam de tal forma que nos obriga a
colocar um pé após o outro, caminhamos sem olhar para a estrada, simplesmente
seguimos um rumo que não sabemos qual é, aquela velha história “um dia de cada
vez”. Nossa mente está condicionada a achar cafona a ideia da reflexão uma vez
que o hoje, o agora e a diversão do momento são bem mais interessantes que o
futuro, não aquele futuro místico dos planos que ninguém sabe se irão dá certo,
mas o futuro amanhã, o nosso imediatismo nos leva a uma bitola, fecha nossas
mentes, nos faz acreditar em teorias.
O nosso problema está sempre relacionados às
dúvidas, mas o problema não é a dúvida, o problema é não termos curiosidade de
soluciona-la, com isso não adquirimos o conhecimento. Em palavras parece ser
tão simples, entretanto a questão torna-se mais complexa quando estamos
acomodados ao ponto de nem despertar a dúvida. O colorido da vida nos deixa
relaxados ao ponto de aceitarmos tudo o que nos dizem sem nem se quer
questionar essa imposição, mesmo às vezes sabendo que elas confrontam nossos
princípios preestabelecidos, ou seja, passamos a ser meros fantoches da vida.
A curiosidade que existe dentro de cada pessoa sempre desperta, mesmo que a
dúvida não venha, o que pode ser um mal indicador, porque essa curiosidade
quase sempre vai ser para coisas estúpidas e supérfluas, fazendo com que o
conhecimento adquirido seja irrelevante. Daí conclui-se que o ser humano tem
exatamente o que merece, baseado nisso podemos dizer que nada a ver tem Deus
com os problemas da humanidade e tolo é o indivíduo que o culpa. Se formos
idiotas o suficiente para satisfazer nosso ego com conhecimentos estúpidos ou
teorias improváveis que nem se quer provas concretas ou visíveis existem, então
devemos ser fortes o suficientes para encarar nossos problemas de convivência
um com outros, uma vez que não ligamos para isso e tratamos como secundários,
podemos assim dizer que somos piores que animais, porque temos a oportunidade
de não apenas seguir nossos extintos, contudo fazemos questões de segui-los,
ignorando nossa capacidade de duvidar, ser curiosos e até mesmo de conhecer.
Com a incrível capacidade de ignorar o que é
relevante o ser humano se deixa ser dominado por quem pensa ou às vezes até
mesmo pela sua natureza animalesca, saindo de uma posição de humano para
escravo ou animal, nada diferente do que acontecia quando esse mesmo ser humano
vivia em uma sociedade agrafa, o estado final da humanidade parece ser tão
precário quanto seu inicio, aparenta ser “bárbaro” e cruel, mas não tão cruel
quanto o sentimento de igualdade, o que não desejo a ninguém, nada melhor que a
capacidade pessoal de duvidar, sentir-se curioso e de conhecer, a busca pelo
desconhecido, o sentimento de que existe algo, além do hoje e a imperceptível
certeza que isso te levará a algum lugar. A expansão da mente, a admissão da
culpa e a busca pelo certo, assim se faz, nunca há duas possibilidades para
tudo, as vezes só existe uma, o mundo é variável, mesmo ele se repetindo. É
como se você já soubesse o que tem dentro da caixa de surpresas, todavia irá se
assustar quando abrir. Nessa condição nós podemos duvidar, “curiar” e até mesmo
conhecer, a matemática da vida é bem simples, a mente é simples, basta olharmos
para dentro de nós mesmo e descobrir quem somos, a mente é auto decifrável. A
inteligência e a sabedoria são frutos do próprio homem, tudo vem do próprio
homem para o homem, mas não é obtido pelo homem. Saber ficar calado na hora
certa, saber pensar, saber agir, saber duvidar, ter curiosidade e conhecer
fazem do indivíduo o ser poderoso, tão poderoso ao ponto de entender o que se
passa ao seu redor e interpretar os fatos de maneira correta, saber não esperar
e saber viver de forma digna. A humanidade acha que existe enigmas por não
conhecer a si mesma, no em tanto quando obtiver o conhecimento necessário de
quem ela é, tudo será claro, não haverá barreiras para a mente, nós seremos
completos em algo, completos na mente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário