Sinceridade, precisamos ser sinceros, isso é obvio, porém vamos além da
sinceridade, vamos falar cuidadosamente. Certo garoto, meio adulto, meio
menino, vivendo aquela adolescência meio conturbada, vivendo os dias de
posicionamentos, vivendo os dias de escolhas, contudo, vivendo os dias das
brincadeiras sem fim, vivendo os dias de não levar a escola a sério, vivendo os
dias. Ele conheceu uma garota ou meio que se forçou a conhecê-la, tornaram-se
amigos, tornaram-se algo mais, viveram a modernidade do eterno enquanto durou.
Não é de se admirar que pessoas jovens de mais ainda levem certos estercos na
cabeça, não há certezas, não há pés no chão. De certo que com tempo uma série
de conflitos apareceu, digamos que não conflitos idiotas, ou talvez até fossem,
seus princípios de vida não se encaixavam, as engrenagens enganchavam-se, meio
que uma alerta soou pra ele “beware, beware, beware”, que culpa teve ambos?
Não demorou muito para que ele tomasse uma decisão, se me permitem,
serei redundante, uma decisão decisiva. Ele termina e deixa no ar pra todo
mundo ser um tremendo cafajeste, não soube segurar as pontas e preferiu
torna-se um heartbreaker, assim ele pega uma marreta, talvez até uma bola de
demolição e deixa em cacos o coração da garota. Que culpa teve ela? Nenhuma,
ela foi apenas uma vítima dos problemas dele, enfim, como dizem os filósofos
“sábio é quem sabe a hora de parar”, talvez ela não merecesse aquilo, mas
também talvez fosse um mal necessário. Ele que cedo aprendeu a esquecer das
coisas, sendo elas boas ou ruins, superou rápido, no entanto ela sofreu um
pouco, depois outros poucos e mais uns bocados, no entanto disse a ele no meio
do sofrimento “Quando eu superar, volto pra ser sua amiga” e partiu. Ela foi
crescer, foi deixar de ser garota pra virar mulher, foi colocar o fone de
ouvido, esquecer-se do mundo e cantar “o melhor presente que Deus me deu, a
vida me ensinou a lutar pelo o que é meu”. Cada história tem sua alma, cada
pessoa tem seu momento, cada dia tem seu clima. Enfim, passaram-se dias,
passaram-se meses, passaram-se anos. Cada um aprendeu a viver à sua moda, a
vida foi ensinando, a vida foi mostrando, mas como se sabe que o mundo dá
voltas e mesmo assim nunca para no mesmo lugar, ele supera, ela supera, ambos
ficam bem consigo mesmos, o curso norma da vida, o regime normal de um rio.
Sabe-se Deus o que viveram, sabe-se lá o que aconteceu, sabe-se que ela voltou
a bater na sua porta, voltou sem nada, voltou normal.
– Oi, tudo bem? Tá se perguntando por que eu voltei? – disse ela.
– É, tudo bem, mais ou menos. – respondeu ele.
Aquela leve pausa, aquele clima de tensão no ar.
– Te superei ué, voltei pra ser sua amiga, não foi isso que eu disse? O
tempo me ensinou, o sofrimento me fez amadurecer, no final foi um mal
necessário. – respondeu ela.
Ele com um ar de humor reponde sorrindo:
– De nada, então.
De uma forma confusa, as coisas se ajeitaram. Ninguém sabe o que
aconteceu, se a amizade permaneceu, ninguém consegue resistir ao intemperismo,
o tempo lapida qualquer um, no final de tudo é bom sempre ter cuidado quando se
trata de sentimentos, qualquer um que brinca demais com eles, se machuca e
machuca quem está perto, isso é inevitável, de qualquer forma, beware.