terça-feira, 10 de junho de 2014

Símio



Tadeu, Tadeu, quão símio fostes tu?
Que trocastes o amor por um copo de bebida azul.
Tadeu, Tadeu, quão símio foste eu?
Que troquei a razão por um amor ao breu.
Tadeu, Tadeu, quão símios fomos nós?
Para que nos transformássemos em seres tão atrozes

Tadeu, Tadeu, meu bom amigo Tadeu
Aqui quem te fala não é o mesmo eu
Estudei, pensei, construí, acumulei, enriqueci
Para que? Por que sou eu tão símio?
Troquei o bom da vida por um monte de papel
O dinheiro veio para perturbar o amor,
Tadeu, Tadeu, meu bom amigo Tadeu
O sol brilha, a lua brilha, mas eu continuo no breu

André Luiz Sampaio



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Fechado para balanço

 



Tenho andado em círculos
Dentro de minha própria casa
Abro a janela, fecho a janela
Abro a porta, fecho a porta

Muitas coisas não fazem mais sentido
Algumas coisas nem existem mais
Está tudo diferente
Tudo muito mudado

Isso é ser adulto?
Ter a cabeça cheia de preocupações?
Não parece tão divertido
A tevê mente

Crescer não parece tão legal agora
Fecharei para balanço,
Por hora
Vai que assim eu não canso.

sábado, 30 de novembro de 2013

Dona Razão, por favor



As verdades que eu sei
As mentiras que direi
Os segredos que guardei
A vida que não aproveitei

Corri demais pra nada
O vento é sempre vento,
Sem um proposito,
Assim eu fui, assim eu sou

 E se a razão estava com o coração?
Será que tudo que vivi foi em vão?
Talvez minhas perguntas,
Talvez minhas repostas,
Talvez a vida não tenha nenhuma
Nem perguntas e nem respostas
Minhas perguntas são muito grandes
Para as respostas que você pode me dá,
Minhas respostas são muito simples
Para as coisas que queria me perguntar

Dona Razão, se um dia
Eu te encontrar, por favor
Não me diga, não me diga
Que as perguntas e as respostas

Que era o coração que as tinha.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Beware


Sinceridade, precisamos ser sinceros, isso é obvio, porém vamos além da sinceridade, vamos falar cuidadosamente. Certo garoto, meio adulto, meio menino, vivendo aquela adolescência meio conturbada, vivendo os dias de posicionamentos, vivendo os dias de escolhas, contudo, vivendo os dias das brincadeiras sem fim, vivendo os dias de não levar a escola a sério, vivendo os dias. Ele conheceu uma garota ou meio que se forçou a conhecê-la, tornaram-se amigos, tornaram-se algo mais, viveram a modernidade do eterno enquanto durou. Não é de se admirar que pessoas jovens de mais ainda levem certos estercos na cabeça, não há certezas, não há pés no chão. De certo que com tempo uma série de conflitos apareceu, digamos que não conflitos idiotas, ou talvez até fossem, seus princípios de vida não se encaixavam, as engrenagens enganchavam-se, meio que uma alerta soou pra ele “beware, beware, beware”, que culpa teve ambos?
Não demorou muito para que ele tomasse uma decisão, se me permitem, serei redundante, uma decisão decisiva. Ele termina e deixa no ar pra todo mundo ser um tremendo cafajeste, não soube segurar as pontas e preferiu torna-se um heartbreaker, assim ele pega uma marreta, talvez até uma bola de demolição e deixa em cacos o coração da garota. Que culpa teve ela? Nenhuma, ela foi apenas uma vítima dos problemas dele, enfim, como dizem os filósofos “sábio é quem sabe a hora de parar”, talvez ela não merecesse aquilo, mas também talvez fosse um mal necessário. Ele que cedo aprendeu a esquecer das coisas, sendo elas boas ou ruins, superou rápido, no entanto ela sofreu um pouco, depois outros poucos e mais uns bocados, no entanto disse a ele no meio do sofrimento “Quando eu superar, volto pra ser sua amiga” e partiu. Ela foi crescer, foi deixar de ser garota pra virar mulher, foi colocar o fone de ouvido, esquecer-se do mundo e cantar “o melhor presente que Deus me deu, a vida me ensinou a lutar pelo o que é meu”. Cada história tem sua alma, cada pessoa tem seu momento, cada dia tem seu clima. Enfim, passaram-se dias, passaram-se meses, passaram-se anos. Cada um aprendeu a viver à sua moda, a vida foi ensinando, a vida foi mostrando, mas como se sabe que o mundo dá voltas e mesmo assim nunca para no mesmo lugar, ele supera, ela supera, ambos ficam bem consigo mesmos, o curso norma da vida, o regime normal de um rio. Sabe-se Deus o que viveram, sabe-se lá o que aconteceu, sabe-se que ela voltou a bater na sua porta, voltou sem nada, voltou normal.
– Oi, tudo bem? Tá se perguntando por que eu voltei? – disse ela.
– É, tudo bem, mais ou menos. – respondeu ele.
Aquela leve pausa, aquele clima de tensão no ar.
– Te superei ué, voltei pra ser sua amiga, não foi isso que eu disse? O tempo me ensinou, o sofrimento me fez amadurecer, no final foi um mal necessário. – respondeu ela.
Ele com um ar de humor reponde sorrindo:
– De nada, então.

De uma forma confusa, as coisas se ajeitaram. Ninguém sabe o que aconteceu, se a amizade permaneceu, ninguém consegue resistir ao intemperismo, o tempo lapida qualquer um, no final de tudo é bom sempre ter cuidado quando se trata de sentimentos, qualquer um que brinca demais com eles, se machuca e machuca quem está perto, isso é inevitável, de qualquer forma, beware. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Garota do Igaraçu

Ponte Simplício Dias sobre o Rio Igaraçu (Parnaíba-PI)


Certa vez falaram que existia um lugar esplendorosamente bonito que você iria depois que morresse, contudo existia outro lugar horripilante que você iria depois que morresse também. Não se sabe muito, se sabe que você vai para um ou para outro assim que morre. Assim pensava a Garota do Igaraçu, mergulhada em dúvidas sobre o que viria depois. Ela andava sempre preocupada, sempre amedrontada. Parecia que ela já vivia o lugar horripilante aqui na terra, era como se ela usasse óculos cinza, a ótica era sempre a mesma. O amanhã sempre a trazia medo e o ontem remorso, e o que falar do hoje? Um trágico e mero excremento de vida. Sentada à beira do rio Igaraçu (por isso era chamada de Garota do Igaraçu), ela refletia sobre a vida, refletia o quão certa ou errada ela poderia está, afinal quem nunca parou para pensar isso? Assim, ela respirava fundo e viajava em pensamentos, pensava no futuro, pensava na morte, pensava no lugar esplendorosamente bonito, pensava no lugar horripilante, pensava em sobre a existência de um Deus, sobre a existência do bem e do mal. Assim ela procurava saber se era realmente feliz, procurava entender sua existência. Bem, sua mente era uma caixa de surpresas, sua visão de mundo era cinza.

“Por que é tão vazio?” resmungou ela em um som inaudível, “por que precisa ser tão indecifrável o além?”. Confesso que eu senti dó dessa Garota, tão bela, no entanto tão triste. A água barrenta do Igaraçu continuava a correr de forma incansável, o trânsito de automóveis, pessoas e animais estava intenso sobre a velha ponte Simplício Dias, era um comum fim de tarde. Ela se levanta, se estica, respira fundo novamente, fecha os olhos e fala “Deus, o que vem agora?”. É incrível como todo mundo é avesso a Deus – sim, bem lá no fundo você é – entretanto é ele que sempre culpamos por tudo o que dá errado, no final é tudo culpa dele. Quando pensamos assim podemos entender porque a Garota do Igaraçu vivia com medo do que vinha depois, um medo que parecia não ter razão, ela simplesmente gastava sua vida pensando nisso, incomodava, o medo a consumia, com isso ela não vivia, ela apenas sobrevivia. Mas será culpa de Deus os nossos fracassos? A Garota do Igaraçu nunca soube o que era fracasso e nem o que era sucesso, ela nunca tentou fazer algo porque seu medo a inibia. O transcendental a apavorava, a fazia roer as unhas e entrar em depressão profunda.

Já estava meio escuro quando ela voltou rumo ao centro da cidade, passando pelos velhos prédios com características lusitanas, aquele ar fresco e um clima pesado, o cheiro dos maus-tratos ao os escravos dos séculos passados exalava naquele lugar, uma penumbra sem fim. Próximo a ao velho prédio da Caixeral, ela olha para o chão vê um papel com algo escrito a mão “Se vida não tivesse sentido, ela não teria sido criada, o final é certo, o ontem é passado e o amanhã é você quem faz”. Nesse exato momento parece que Deus perde toda sua culpa, a culpa recaia sobre ela, não seria ela e o seu medo que a fazia viver tão infeliz? A Garota do Igaraçu abriu um sorriso, parecia ter tido um insight, parecia que a vida havia desabrochado “O amanhã sou eu quem faz” dizia ela, e o sorriso crescia, irradiava, os prédios velhos, alguns de arquitetura gótica pareciam tão bonitos, tão intensos, tão vivos, mesmo sendo velhos, aquele nome “bistrot” na parede do prédio da Caixeral parecia ter outro significado, algo como “Isso, é isso, a vida é para viver”, ela começou a correr e corria com força, logo avistou o velho vagão 29 da Maria Fumaça, lágrimas de alegria escorria por seus olhos, ela gritou “Estou viva” e de repente naquele estado de êxtase  um carro em alta velocidade, sem chances de reação atinge-a, ocorre aquela trágica abalroada e no mesmo momento morre a Garota do Igaraçu. Não se sabe para que lugar ela foi, mas se sabe que o culpado dos nossos problemas não é ninguém além de nós mesmo. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Seja feliz, se puder




















Não sou tão extrovertido
Muito mesmo gentil
Não sei ser mágico
Não consigo ser encantado
Quem dirá príncipe
Estou mais pra sapo
Confidencialmente sapo
Não sou romântico
Não levo flores
Muito menos chocolates
Não me lembro de datas
Não sou perfeito
Não sou musculoso
Tenho barriga saliente
Não sou loiro
Não tenho olhos azuis ou verdes
Gosto de vídeo games
Talvez até te troque por eles
Não sou educado
Não abro a porta do carro
Minha mãe me educou sim
Eu que não aprendi
Não sou perfeito
Não se iluda
Eu nunca te dei esperanças
O que faz você pensar em mim?
A única coisa que tenho,
Se tiver, é a sinceridade,
E um pouco de crueldade
Não se iluda, não.
O destino brinca com os dados.
Mas você não precisa obedecer
Seja livre, livre de mim,
Sou só um peso, vai por mim.
Eu me conheço mais que você
Não quero te vê sofrê.
Sei lá, até quero, sabe?
Pra vê se você aprende
Que eu não sou gente.
Seja feliz, se puder.






Música do Dia

 

 

 

 

 

Dias de Luta, Dias de Glória

Charlie Brown Jr




Canto minha vida com orgulho

Na minha vida tudo acontece
Mas quanto mais a gente rala, mais a gente cresce
Hoje estou feliz porque eu sonhei com você
E amanhã posso chorar por não poder te ver
Mas o seu sorriso vale mais que um diamante
Se você vier comigo, aí nós vamos adiante

Com a cabeça erguida e mantendo a fé em Deus
O seu dia mais feliz vai ser o mesmo que o meu
A vida me ensinou a nunca desistir
Nem ganhar, nem perder mas procurar evoluir
Podem me tirar tudo que tenho

Só não podem me tirar as coisas boas
Que eu já fiz pra quem eu amo
E eu sou feliz e canto e o universo é uma canção
E eu vou que vou

História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória 4x

Oh minha gata, morada dos meus sonhos
Todo dia, se pudesse eu ia estar com você
Já te via muito antes nos meus sonhos
Eu procurei a vida inteira por alguém como você
Por isso eu canto a minha vida com orgulho
Com melodia, alegria e barulho

Eu sou feliz e rodo pelo mundo
Sou correria mas também sou vagabundo
Mas hoje dou valor de verdade pra minha saúde,
pra minha liberdade
Que bom te encontrar nessa cidade
Esse brilho intenso me lembra você

História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória 4x

Hoje estou feliz, acordei com o pé direito
E vou fazer de novo, vou fazer muito bem feito
Sintonia, telepatia, comunicação pelo cortex bum bye bye